Filme ‘A Vida Extraordinária de David Copperfield’ vai de Disney a Deus Ex Machina

Filme ‘A Vida Extraordinária de David Copperfield’ vai de Disney a Deus Ex Machina

David Copperfield é um dos maiores romances de Charles Dickens, ao lado de “Um Conto de Natal” e “Oliver Twist”, e que agora ganha sua versão em filme.

Muitos elementos contidos no livro se assemelham com eventos da vida do autor, o que o faz ser considerado uma obra autobiográfica, sendo inclusive considerada pelo autor como seu “filho favorito”.

Como era comum na época, foi publicado inicialmente como um folhetim (em capítulos) e só posteriormente publicado como livro em 1850.

A Vida Extraordinária de David Copperfield filme crítica
Foto: Lionsgate / Divulgação

A trama

A história narra a trajetória de David Copperfield da infância à maturidade, passando pelas agruras e dificuldades comuns à sua época, bem como seu envolvimento com as pessoas que vai encontrando pelo caminho, tornando-o um otimista resiliente ainda um tanto quanto ingênuo.

Suas reflexões sobre a própria vida fazem com que ele se dê conta que tem talento para escrever e contar histórias.

A saber, A Vida Extraordinária de David Copperfield (The Personal History of David Copperfield) é inspirado na obra de Dickens, mas a transformou em uma espécie de fábula histórica tragicômica, quase um “filme da Disney”, faltando, para isso, apenas os números musicais. O que não o tornou ruim, diga-se de passagem.

Encaixou-se muito bem com o jeito escolhido pelo diretor para contar a história e, talvez, melhor ainda com o elenco.

Do carismático protagonista David Copperfield interpretado por Dev Patel, passando pelos demais personagens principais como a geniosa tia Betsey Trotwood, de Tilda Swinton; o atrapalhado Sr. Dick, de Hugh Laurie; o picareta de bom coração Sr. Micawber, de Peter Capaldi; e o seboso Uriah Heep, de Ben Whishaw – que conseguiram sustentar personagens tão caricatos de forma verossímil, até os personagens mais secundários que conseguem ter seus momentos.

Digno de nota ainda é a elogiável a diversidade do elenco, embora isso fuja da realidade da época de uma Londres do século XIX, majoritariamente branca.

A Vida Extraordinária de David Copperfield crítica filme
Foto: Lionsgate / Divulgação

Nem tudo são flores

Aliás, essa feliz combinação de visão do diretor com um elenco afiado nos brindou com um filme bastante agradável de se assistir, trazendo uma história pautada na tragicomédia de forma quase lúdica para os dias atuais.

Maaasss… nem tudo são flores. Isso porque o filme chega um encerramento de forma quase que abrupta, já que a condição que David Copperfield alcança como resultado da escrita é mal trabalhada. Assim, acaba funcionando quase como um Deus Ex Machina para o desfecho.

Está aí o grande pecado do filme A Vida Extraordinária de David Copperfield e do diretor Armando Iannucci: uma parte considerável da história original foi sumariamente descartada.

Fatos como o desenrolar das relações afetivas de David Copperfield, o degredo do irremediavelmente falido Sr. Micawber, entre outros, ficaram de fora do longa inexplicavelmente.

Definitivamente, fizeram falta para um maior desenvolvimento da história e um desfecho mais bem acabado. E, certamente, também penalizaram o brilhantismo da obra.

Considerando isso, ainda podemos dizer que A Vida Extraordinária de David Copperfield é um bom filme – que poderia ter sido ainda melhor. Certamente vale a pena assistir. Além disso, serve como uma boa “porta de entrada” para a rica obra do autor Charles Dickens.

TRAILER

FICHA TÉCNICA

Título original: The Personal History of David Copperfield
Direção: Armando Iannucci
Elenco: Dev Patel, Aneurin Barnard, Peter Capaldi, Morfydd Clark, Daisy May Cooper, Rosalind Eleazar, Hugh Laurie, Tilda Swinton, Ben Whishaw, Paul Whitehouse
Distribuição: Lionsgate
Data de estreia: sex, 28/08/20
País: Estados Unidos, Reino Unido
Gênero: biografia, drama, comédia
Ano de produção: 2020
Duração: 119 minutos
Classificação: 12 anos

8.0
Créditos Galáticos
Créditos Galáticos: 8
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Sendo Charles Dickens, vale a pena
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