Agatha e Gui Fleming fazem a arte subir ladeira no Cosme Velho

Agatha e Gui Fleming fazem a arte subir ladeira no Cosme Velho

Na última sexta-feira (08/11), o Galpão Ladeira das Artes, no Cosme Velho, recebeu os shows de Gui Fleming e Agatha, lançando seus respectivos discos “O Bom Maldito” e “Do Lado de Lá”, pelo selo Porangareté, de Rodrigo Garcia e Chico Chico.  Aliás, diversos músicos estiveram presentes e passaram pelo democrático palco, culminando em um final apoteótico. Quem abriu a noite cantando foi a Jhasmyna, também com álbum novo, deixando um aroma de manjericão no ar, erva que dizem ter um poder de harmonizar ambientes.

Leia mais:

PARCEIROS NA VIDA E NA MÚSICA, AGATHA E GUI FLEMING DIVULGAM TRABALHOS: CONFIRA!
— TRANSBORDANTE, AVA ROCHA FAZ SHOW TEATRAL E ARREBATADOR NO MANOUCHE
ROCK EXPERIENCE RECEBE PRIMEIRO SHOW DA SHIRAZ LANE NO BRASIL

A princípio, após a MPB embalante e harmonizante de Jhasmyna, Gui Fleming entrou “Riscando o Disco” e jogando com a divertida “Bactéria”. A escolha de figurino do cantor e compositor mostram a clara opção por uma esquisitice proposital exaltada também em suas canções que misturam experimentações musicais com instrumentos diversos e letras críticas ao sistema vigente.

Gui Fleming e Rodrigo Gargia no Cosme Velho.

Gui Fleming sob o olhar paternal de Rodrigo Garcia (Alvaro Tallarico / BLAHZINGA)

Então, entrou Agatha, o mesmo nome de um cristal que, segundo o esoterismo, traz equilíbrio energético, cura física, vitalidade e proteção espiritual. Assim como a voz dessa jovem cantora de 23 anos, que parece revigorar o corpo dos ouvintes. Seu canto lembra Janis Joplin, mas com aquele toque pessoal que sugere ter ainda muito espaço para evoluir. A tutoria da experiente cantora Júlia Vargas claramente está ajudando. Ao cantar “Valsa e Baião”, composição de Gui Fleming, Agatha parecia fazer o público se sentir em um vagão de um metrô flutuante – provavelmente uma das estações era a Lua. Inclusive, o disco de Agatha reúne composições próprias e de diversos artistas como Chico Chico, a própria Júlia Vargas, Duda Brack, Liv Lagerblad e Gui Fleming.

júlia vargas, chico chico e o samba frito

Posteriormente, Gui Fleming entrou com Júlia Vargas – que demonstrou sua técnica vocal apurada como sempre – misturando filosofia com caligrafia. Duda Brack e Daíra subiram ao palco: “Nossa cabana, os nossos discos…”, vinham cantando, era a música “Susan & Glauco”. O Galpão Ladeira das Artes deu a impressão de ser uma grande cabana, unindo vocações artísticas em prol da arte musical. Na cozinha do espetáculo, o baterista Cesinha dava o ritmo.

Chico Chico participou do show de Gui Fleming e Agatha

Chico Chico cantou junto com Gui Fleming em duo divertido (Alvaro Tallarico / BLAHZINGA)

UM PALCO DEMOCRÁTICO E CHEIO DE TALENTOS

Nova arrumação e Chico Chico foi convidado para cantar “Samba Frito” ao lado de Gui. Canção dançante, irônica, com um gosto de samba-rock; ambos bailavam com desenvoltura, criatividade e um toque de esquisitice. A dupla fez a plateia rir bastante. Em “Do Lado de Lá”, canção que dá nome ao disco de Agatha, parceria do Gui com a poetisa Liv Lagerblad, dotada de um estilo meio anos 60, Júlia e Ivo Vargas deram o ar de suas graças, temperados com tantos anos de estrada. Agatha ia apresentando sua interpretação irreverente, variando o tom da voz, rasgando, subindo, descendo, cambaleando propositadamente, tudo a ver com o canto maré dito na canção “Mãe”.

Ademais, o democrático palco teve espaço para Fidelis acompanhar Gui Fleming na tentativa de matar a sede com água do mar com “Um Velho Deitado”, seguida pela participação do cantor e compositor Posada, acrescentando um sotaque nordestino no duo com Gui em “Zezé”. Logo depois, desceram, e quem subiu foi João Matuano, o Jotinha, e Pedrinho Fonseca: “Desapareceu”, com a companhia de Duda Brack e Daíra.

Agatha e Ivo Vargas no palco do Galpão Ladeira das Artes, no Cosme Velho

Agatha e Ivo Vargas, vibração e estilo em prol da música (Alvaro Tallarico / BLAHZINGA)

Enfim, o horário do fim do espetáculo ia se aproximando. O revezamento em cima do palco era como um carrossel de emoções musicais. Júlia Vargas e Chico Chico brindaram o público com versos vertiginosos “Vai com Deus que eu vou”, seguido pela clássica “Vou ver Cristina”. A apresentação agora seguia um formato acústico, Ivo Vargas e Gui Fleming assumiram o palco e cantaram de improviso uma composição que fizeram em inglês cujo verso “You are one of so many voices…”, ficou na minha mente. Agatha se empolgou e subiu ao palco também, assim, o trio conseguiu fazer a língua inglesa parecer muito mais bonita.

UNIÃO MUSICAL: PORANGARETÉ

Dessa forma, Gui chamou todos os músicos do Porangareté para o palco e o momento mais apoteótico, simbólico e arrepiante da noite ocorreu. Todos juntos começaram a cantar “Sujeito de Sorte”, do Belchior, e o público acompanhou, em coro. Ainda fizeram um pout-pourri com “Hey, Jude”, dos Beatles, e juntaram-se aos espectadores. Definitivamente, essa vibração do final foi deveras impressionante, pois era possível sentir – como se palpável fosse – a animação, a união entre os artistas, ajudando uns aos outros, como peças de algo maior, cada um com suas peculiaridades e habilidades específicas, acima de desvios egóicos, munidos do conhecimento de que unidos são mais fortes.

TAGS
Compartilhe


Leia também