Ariel Morena | Leveza em forma de canção

Ariel Morena | Leveza em forma de canção

Inspirar pessoas através de suas próprias experiências de vida é o fio condutor de Ariel Morena, cantora e compositora capixaba. Portanto, ela lançou no início de fevereiro o seu segundo single, Sorriso Bobo, com referências que buscou na sua infância na Barra do Jucu, bairro de Vila Velha, ES. A artista, que iniciou o seu projeto musical durante a pandemia, planeja lançar um disco ainda em 2021 trazendo essa mesma energia positiva que marca os seus dois primeiros singles.

Por isso, convidamos Ariel para uma conversa cheia de detalhes sobre os bastidores de seu trabalho e revelações de sua vida pessoal, que tanto inspira as suas obras.

Confira!

Você acabou de lançar o seu segundo single, “Sorriso Bobo”, faixa que traz referências musicais adquiridas na sua infância na Barra do Jucu.  Qual foi a sua inspiração para essa faixa?

“Sorriso Bobo” nasceu no final de 2019, eu estava vivendo um término de relacionamento na época, ainda muito apegada àquela história e tudo mais. E escrever desde sempre foi uma válvula de escape para expressar as coisas que eu sinto e muitas vezes não consigo falar. Nessa fase eu já estava no processo de composição para o disco. Aí escrevi a letra mostrei para um amigo que me ajudou a gravar uma guia.

Foto por Débora Bossois

A minha principal referência para esse som é uma música que se chama “Suco de Cajá de um cara que eu admiro muito do reggae music nordestino, David Ávila. O som dele é um som praiano maravilhoso. É o tipo de som que eu fecho os olhos e me sinto muito bem em uma praia bonita. Ele constrói um cenário sonoro na música que remete a alguma sensação ou lugar. E é isso que eu quero fazer não só com “Sorriso Bobo”, mas com todo disco Na Beira do Rio (sem data prevista de lançamento).

Conte mais sobre a construção da sonoridade da música.

A pré-produção de Sorriso Bobo começou em dezembro/2020, logo após o lançamento da minha primeira música, “Além da Janela (10/10). Eu enviei a guia, a letra e a referência pro meu produtor, o Hugo Paraízo (produtor musical do disco) e começamos a tocar a produção do instrumental e arranjos. O Hugo vem com toda base instrumental impecável, sou super fã do trabalho dele.

A gente sempre vai trocando ideias até chegar num resultado que a gente curte e que acredita que a galera também vai gostar. A gente conversa muito e compartilha opiniões sobre cada detalhe da música. Eu sempre tenho algum instrumento específico que acho que tem que ter na música. Para construir esse cenário sonoro e as sensações que eu penso pra aquela canção. Nesse som foi a gaita, em “Além da Janela” foi o trompete. Simplesmente amo o som da gaita, e nada mais vibe beira de praia né?! 

Fugindo do padrão de mercado, você lançou a faixa no dia 02/02, uma terça-feira. Qual foi o motivo da escolha dessa data?

O plano era lançar no dia 02/02 por dois motivos. Primeiro, por causa da sincronia na data, eu quero manter uma unidade numerologia com todos os meus lançamentos. E segundo, pois dia 02/02 é Dia de Iemanjá. Todo ano, há alguns anos, eu sempre faço algo pra homenagear essa data. Gosto de ir às festas que tem na Píer de Iemanjá, que fica na Praia de Camburi (próximo à minha cidade).  As fotos que eu usei, foram fotos que eu tirei em 2017 em um ensaio de retratos a convite da fotógrafa Debóra Bossois. O plano de divulgação e de redes sociais do lançamento eu escrevi em janeiro também, essa parte eu cuido sozinha. Tracei algumas estratégias com sorteio, only fans, parcerias e tudo mais e tô executando até hoje, agora na fase de pós.

“Sorriso Bobo” veio acompanhada de uma coreografia e um convite para que outras pessoas dancem contigo nas redes sociais. Conte mais sobre esse challenge.

A dança é uma forma de expressão que ressoa muito comigo. Atualmente eu faço aula particular de dança de salão, para incorporar a dança cada vez mais no meu trabalho e nas minhas apresentações.  Eu comecei a dançar fazendo Dança Cigana em 2019, como um tratamento terapêutico. Foi muito incrível e transformador para mim em várias vertentes da minha vida. Mas com a pandemia, eu saí do curso de Dança Cigana e continuei sentindo a necessidade de dançar em casa. Eu sempre gostei muito de sair pra dançar, dançar forró, sair pra sambar.

Com a pandemia essa é com certeza uma das coisas que eu mais sinto falta. Desde que “Sorriso Bobo” nasceu eu já sabia que queria dançar de alguma forma. Os challenges são a febre do engajamento nas redes sociais com as gerações atuais e principalmente as mais novas. Eu reparei como os challenges cresceram nas redes sociais principalmente do ano passado pra cá. É divertido. As pessoas gostam de brincadeiras e desafios e de ter o que fazer dentro da rede social. Então, decidi adotá-lo como uma das estratégias de pós lançamento. A coreografia foi criada por mim e pela minha professora de dança, Carol Mendes

Como está sendo a recepção do público com essa faixa?

Com o lançamento de “Sorriso Bobo”, eu senti a necessidade de ir mais afundo no meu público. Então, decidi criar um conteúdo exclusivo de Close Friends no Instagram para saber quem são as pessoas que estão realmente interessadas no meu conteúdo. Criei um plano de conteúdo exclusivo para esse público com outros challenges, brincadeiras e sorteios para as pessoas mais engajadas. O retorno tem sido incrível, o grupo ainda é pequeno, mas está crescendo cada dia mais com o lançamento.

Estou muito feliz com os resultados e as conexões que “Sorriso Bobo” está me trazendo, acho que eu recebi mensagens e li coisas que me fizeram sentir orgulho porque a mensagem realmente está chegando alinhada. Muitas pessoas me mandaram feedbacks dizendo que o som tá muito gostoso de ouvir, que se identificaram com a letra, que sentiram uma sensação de calma e de paz com a minha voz, que se sentiram acolhidos nesse cenário praiano que o som traz. Então isso pra mim é tudo, significa o mundo.

Muito obrigada a cada uma dessas pessoas que me mandou mensagem e que me ouviu com o coração aberto para sentir. Eu acredito muito no poder da cura através dos sons e acredito que a música tem o poder de nos transportar de uma sensação de angústia, para uma sensação de paz, de alegria, de leveza. É isso que eu quero, é isso que eu acredito, vamos ser um átomo de paz e de bem estar para nós e para todos.

Vamos falar sobre o seu primeiro single? Acho bem interessante a forma que a letra de “Além da Janela” apresenta um contraste entre a proximidade de corpos e a distância, do que está lá fora. Como você criou essa letra?

“Além da Janela” também foi um coração partido. Eu estava uma tarde no meu antigo apartamento e vivendo o luto de uma história que tinha tudo pra dar errado e deu, mas eu gostava da pessoa e estava sofrendo pelo fim. Eu lembro que eu via da janela como o dia estava lindo lá fora e que a praia devia estar maravilhosa, solzão, céu azul, mas lá dentro eu estava sentada na minha mesa comendo um chocolate e com o caderno na minha frente e tentando elaborar um vazio que tinha dentro de mim.

E a cada vez que eu fechava os olhos, eu queria aquele beijo, e aí eu abria os olhos e via o céu azul, o sol quente, ai eu fechava os olhos e sentia o cheiro do sabonete dentro da minha cabeça, sentia a presença daquela pessoa ali.  Então minhas inspirações são minhas próprias sensações da vida e de como eu sinto a minha manifestação no mundo.

(…)“Além dos meus olhos fechados, o universo existe em seus lábios

Entre o amor e o pecado, o desejo ferve ao teu lado

Além da janela o céu azul

Além da janela o sol esquenta” (…)

A brisa atravessa por mim, com teu cheiro de banho fresquinho”(…)

Você pode contar um pouco mais sobre as suas inspirações como letrista?

A escrita sempre foi uma atividade presente na minha vida, mesmo na fase em que eu não escrevia músicas em si, eu sempre tive o hábito pessoal de recorrer ao caderno para falar o que eu sinto. Eu fui voltar a compor letras de músicas mesmo há uns dois anos atrás quando eu decidi de fato que eu conseguia sim fazer isso que eu queria muito fazer, mas me sabotava com crenças limitantes de que eu não era boa o bastante para realizar.

Antes disso eu tive várias fases de ida e volta e com a composição, lembro que por volta dos 16 anos eu escrevia muita música, mas depois parei. Tive um hiato criativo de mais ou menos 6 anos. Até hoje eu tenho meus cadernos de música dos 16 anos e vejo que eu evoluí como compositora, mas que a mensagem por trás de tudo sempre foi falar da vida, das dores que eu estava vivendo naquele momento e dos meus corações partidos.

As suas músicas possuem uma linguagem praiana, uma brisa de leveza que tem sido rara e necessária no nosso contexto atual. Como você acredita que a sua música está afetando as pessoas nesse momento?

A ideia de criar ambientes sonoros que vão acolher as pessoas em seu íntimo e fazê-las sentirem um pouco mais de paz, de calma, de leveza através da minha voz e do meu ambiente sonoro. Tanto com “Sorriso Bobo” quanto com “Além da Janela” eu consegui atingir esse objetivo. Eu recebi muitos feedbacks de pessoas falando que as músicas acalmaram, trouxeram sensação de paz, sensação de um lugar acolhedor.

Foto por Débora Bossois

E é sobre isso, sabe? Eu acho que, principalmente se a gente for pegar no nosso cenário atual coletivo, a sensação de angústia e desespero por tanta injustiça acontecendo no mundo, a gente tá muito suscetível a vibrar na dor e no sofrimento o tempo inteiro e ficar preso nisso. Qualquer estímulo que te faça contra essa corrente que só acelera, algo que te faça desacelerar, respirar, cultivar paz, calma e sensações gostosas no seu interior é uma dose de positividade no seu dia e consequentemente no dia de todos os seres.

Então você acredita que pode usar a sua música para mudar a forma que as pessoas sentem o mundo?

Eu acredito muito no poder da música e no poder do som de criar atmosferas, de promover curas, de elevar a vibração das pessoas para níveis mais altos de energia. O meu foco é justamente esse, de criar um cenário sonoro com músicas para transportar a pessoa do caos que ela tiver vivendo naquele momento para um lugar nem que seja um pouquinho mais leve, sereno e belo. É a minha missão e o meu grande propósito com isso tudo. 

Quais são os três artistas que você convidaria para dançar um xote com o pé na areia?

Gabriel Elias, Vitor Kley e Alexandre Carlo (Natiruts).

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Então você é artista e acha que não tem muito espaço? Fique à vontade para divulgar seu trabalho na coluna Contra Corrente do ULTRAVERSO! Não fazemos qualquer distinção de gênero, apenas que a música seja boa e feita com paixão!

Além disso, claro, o (a) cantor(a) ou a banda precisa ter algo gravado com uma qualidade razoável. Afinal, só assim conseguiremos divulgar o seu trabalho. Enfim, sem mais delongas, entre em contato pelo e-mail guilherme@ultraverso.com.br! Aquele abraço!

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