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‘Atypical’, uma verdadeira terapia que vai deixar (MUITAS) saudades

Wilson Spiler

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7 de julho de 2021

Para quem acompanhou as quatro temporadas de Atypical, a série pode ser tratada como uma espécie de terapia. A analogia não é à toa, afinal, o próprio protagonista fala direto para a câmera sobre seus anseios e angústias.
E é um sentimento de “alta do tratamento” que temos ao terminar a quarta temporada de Atypical, que estreia na próxima sexta-feira (9) no catálogo da Netflix. Mas, antes que seja apedrejado por sugerir que autismo seja doença ou deficiência, a referência às consultas psicológicas não é sobre o Transtorno do Espectro Autista que permeia a série, mas dos conflitos presentes nas relações pessoais, sejam elas com a família, amigos ou namorades.

Cringe

A quarta temporada de Atypical começa a partir da independência de Sam, mais uma vez brilhantemente interpretado por Keir Gilchrist, indo morar sozinho com seu amigo Zahid (Nik Dodani). Entretanto, o personagem, desta vez, parece mais caricatural. Aliás, toda a série em seu desfecho aparenta estar mais desleixada com o roteiro, que apresenta algumas situações até “cringes”, para ficar na palavra da moda.
Contudo, Atypical volta a tocar em temas importantes na quarta temporada. Além do transtorno de Sam, são abordados assuntos como adultério, luto, depressão, relações homoafetivas e, principalmente, identidade de gênero. É nessa última questão que a Casey Gardner (Brigette Lundy-Paine) se torna a grande protagonista.
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Maturidade

Ainda, digamos, em início de carreira, Brigette mostra uma maturidade na atuação que impressiona. Todo o processo de aceitação da sua sexualidade e a luta pela identidade de gênero (não ideologia, algo que não existe) cativam. É certamente a subtrama que mais chama a atenção.
Doug (Michael Rapaport), o pai de Sam e Casey, também tem atuação destacada. O luto e a aceitação das diferenças fazem o ator brilhar em diversas cenas. Zahid, por sua vez, passa por um momento delicado, em que atinge exatamente a baixa autoestima que ele tenta ofuscar com seu comportamento machista. É outro personagem com um desenvolvimento importante.
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Deslizes

Por outro lado, o sonho de Sam é interessante, mas a conivência “fácil” dos pais, sinceramente, não convence, ainda que ele não tivesse nenhum transtorno. Afinal, ainda é jovem demais para dar um passo tão grande e perigoso na vida. Ademais, as soluções para que ele alcance o seu objetivo são muito condescendentes.
Já Elsa (Jennifer Jason Leigh), a mãe de Sam e Casey, está carente e compassiva demais com os filhos, protagonizando os principais momentos de vergonha alheia citados anteriormente. Mas também possui cenas onde revela a boa atriz que é e, claro, tem muito “crédito na praça”. Os demais personagens compõem bem o elenco e cada um tem seu momento de maior brilho, mas não chegam a merecer grande destaque.
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Final de Atypical é bom?

Contudo, esses pequenos deslizes não estragam a última temporada de Atypical. De forma alguma. Mesmo não mantendo o mesmo (altíssimo) nível, assim como nos anos anteriores, a série volta a emocionar o espectador mais sensível.
O desfecho pode ser visto como uma metáfora de que o “impossível é possível”, de que podemos sonhar alto. Além disso, essas conquistas não são solitárias, mostrando o quão importante são as relações pessoais e uma família estruturada. E, afinal, com esse nome, o que deveríamos esperar do seu encerramento senão um final atípico?
Portanto, Atypical vai deixar saudades com o fim da quarta temporada. Afinal, tem tudo que uma boa série pede: personagens carismáticos, direção precisa, bem como um roteiro conciso e surpreendente. O lado positivo é que se encerra num bom nível, sem ficar se arrastando por anos apenas por conta da audiência. Ainda que deixe brechas para uma possível continuidade no futuro.
Mas, acima de tudo, Atypical é uma série com coragem e que trata as questões de forma tão simples que nos faz concluir que, de fato, eles são naturais e jamais devem ser vistos como problemas.
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Trailer da série Atypical (4ª temporada)

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Ficha Técnica

Título original da série: Atytical
Temporada: 4
Episódios: 
10
Criação:
Robia Rashid
Elenco: Jennifer Jason Leigh, Keir Gilchrist, Michael Rapaport, Brigette Paine, Amy Okuda, Fivel Stewart
Onde assistir à série ‘Atypical’: Netflix
Gênero: comédia, drama
Ano:
2021
País:
 Estados Unidos
Classificação: 14 anos

Wilson Spiler

Will, para os íntimos, é jornalista, fotógrafo (ou ao menos pensa que é) e brinca na seara do marketing. Diz que toca guitarra, mas sabe mesmo é levar um Legião Urbana no violão. Gosta de filmes “cult”, mas não dispensa um bom blockbuster de super-heróis. Finge que não é nerd.. só finge… Resumindo: um charlatão.
8
Créditos Galáticos

Créditos Galáticos: 8

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