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Cantora Ruby apresenta o empoderado EP ‘5quenta Tons da Preta’

A cantora mineira Ruby acaba de lançar o EP ‘5quenta Tons da Preta’, um trabalho empoderado que marca a sua versatilidade musical. Aliás, a artista aposta na mistura das sonoridades pop e black, resultando em uma batida contagiante e singular. Portanto, as seis faixas do projeto já estão disponíveis nas plataformas digitais. 

A saber, a artista já havia lançado duas faixas que também estão no EP, sendo elas, ‘Dentro de Mim’ e ‘UHLALA’. Logo, completam o repertório as inéditas ‘Sem Você’, ‘Sóbria’, ‘Inevitável’ e o single ‘Chefe’, que chega com um videoclipe, dirigido por Rodrigo Pitta, conhecido por trabalhos com Anitta e Luisa Sonza.

Nesse sentido, o ULTRAVERSO convidou a cantora Ruby para um bate-papo em que falamos sobre o novo EP, parcerias, carreira e expectativa para os palcos. Então, confira a nossa conversa:

ULTRAVERSO: Ruby, você canta desde muito cedo, mas ao longo dessa jornada chegou até a cursar Direito. Porém, em que momento a música se tornou a sua escolha profissional de fato?

RUBY: Estudei até o quinto período de Direito, e quando cheguei nesse momento eu senti uma necessidade muito grande de encontrar um propósito naquilo que estava fazendo. Nesse sentido, por mais que gostasse muito da faculdade e do ambiente de estudos, sentia que não era o que me preenchia. Foi aí que lembrei da minha infância e adolescência cantando na igreja, era uma sensação muito boa que gostaria de voltar a sentir.

Portanto, acabei optando por trancar a faculdade e decidi tentar me inserir no mercado profissional da música, mas sem a menor ideia de como começar. Sendo assim, acabei utilizando o meu instagram como ferramenta de divulgação do meu trabalho, de conexão com outras pessoas, e postei vídeos por lá. Com isso, recebi o convite para ir ao Rio de Janeiro gravar umas músicas e comecei a entender como poderia fazer parte desse meio.

Aliás, você é de Minas Gerais, um estado conhecido por revelar grandes nomes do sertanejo. Nesse sentido, como tem sido produzir pop/black music por aí?

RUBY: Eu acredito que Minas é um lugar muito misto, com uma diversidade musical imensa, com grandes nomes sertanejos, mas também com artistas de outros segmentos, como o Djonga, que canta hip hop, o Jota Quest, do pop rock, Skank, Clube da Esquina entre outros. Me vejo fazendo parte de uma nova leva de artistas vêm surgindo em Minas, trazendo também a minha ‘mineiridade’ e uma identidade singular como todos estes citados também têm. Logo, é muito gostoso fazer parte desse movimento que está conseguindo furar a bolha e ter uma projeção nacional.

A cantora Ruby é um dos destaques da cena pop black nacional (Foto: Divulgação)

Seu nome real é Camila, de onde surgiu a ‘Ruby”?

RUBY: Olha, a Ruby surgiu dentro do meu processo de autoconhecimento, quando comecei a estudar muito sobre a cultura preta, o processo de abolição no Brasil e Estados Unidos, que são bem distintos. Desse modo, a menina americana Ruby Bridges foi uma figura que me conectei de uma forma incrível. Na década de 1960, na época com apenas 6 anos de idade, ela era a única aluna preta em uma escola segregacionista nos EUA. No entanto, apesar de todas as dificuldades impostas, ela decidiu enfrentar e não desistir dos seus estudos. Além disso, outra inspiração veio do meu estado, Minas Gerais, que é um lugar rico em minerais, pedras preciosas. Assim, juntando essa questão da representatividade preta com a base econômica que tivemos por muito tempo em Minas, surgiu o meu nome artístico.

Ruby, esta sexta-feira (20) vamos conhecer seu novo EP, chamado ‘5quenta Tons da Preta’. Sendo assim, qual foi o conceito criado para este projeto?

RUBY: É um conceito de possibilidades, de uma mulher que representa várias outras pela força em comum e pela potência que exercemos dentro do nosso ecossistema. Então, quis trazer isso de que a mulher pode ocupar o lugar que ela quiser, empoderá-las. Também quis flertar com a questão da diversidade racial que temos no país. Sou uma negra de pele clara, mas existem negras retintas e várias tonalidades de pele, e muitas vezes por não terem esse conhecimento sobre sua história e ancestralidade, muitas não conseguem se reter dentro deste lugar. Logo, o nome ‘5quenta Tons da Preta’ é para trazer essa diversidade, tanto estética, quanto de tonalidades de pele e tudo que temos de mais diverso no país.

A saber, o EP chega com um videoclipe da faixa ‘Chefe’, com direção do Rodrigo Pitta, que já trabalhou com Anitta e Luisa Sonza. Portanto, de que maneira chegou até ele e como foi o processo de criação desse clipe?

RUBY: O Rodrigo dirigiu o clipe de ‘Quero Mermo’, uma parceria minha com o BK e Papatinho, e o resultado foi muito bom. Por isso, queria muito voltar a trabalhar com ele, e conseguimos nos reencontrar em ‘Chefe’. Além do mais, ele também é um artista, já teve uma carreira de cantor e sabe bem como é estar na frente e por trás das câmeras. Sobre a gravação, tivemos muita troca, o Rodrigo soube trazer a minha identidade, passar a mensagem que eu quis trazer, aprendi muito com ele e teremos bons frutos com este clipe. 

Ruby, neste EP não tem nenhum feat, é um trabalho em que podemos ver a sua essência como artista. Contudo, sei que você tem várias referências musicais, qual delas sonha em um dia fazer uma parceria?

RUBY: Olha, se for feat brasileiro, gosto muito de pensar que vivo numa época que temos Jorge Ben, Alcione, e vários nomes que vão marcar para sempre a história da música. Infelizmente não tive a oportunidade conhecer a Elza Soares pessoalmente, mas ela era um nome que eu tinha como prioridade de conexão. Assim, o meu desejo de feat é mais voltado para a velha guarda, mas obviamente quero colaborar com artistas contemporâneos, inclusive já tenho algumas parcerias com essa galera.

Para finalizar, qual a sua expectativa para mostrar essas novas músicas ao vivo e poder sentir a recepção do público?

RUBY: Estou bastante ansiosa, quero muito entender como eles vão sentir e receber cada uma delas. Essas canções foram criadas a partir de vivências reais minhas, de coisas que passei e fazem parte da minha história. Portanto, compartilhar isso com as pessoas traz uma questão de propriedade para mim e vontade de enxergar qual delas vão se identificar mais. Nesse sentido, quero muito fazer shows, cantá-las ao vivo e receber essa resposta. 

Ouça ‘5quenta Tons da Preta’, primeiro EP da cantora Ruby

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Então você é artista e acha que não tem muito espaço? Fique à vontade para divulgar seu trabalho na coluna Contra Maré do ULTRAVERSO! Não fazemos qualquer distinção de gênero, apenas que a música seja boa e feita com paixão!

Além disso, claro, o (a) cantor(a) ou a banda precisa ter algo gravado com uma qualidade razoável. Afinal, só assim conseguiremos divulgar o seu trabalho. Enfim, sem mais delongas, entre em contato pelo e-mail guilherme@ultraverso.com.br! Aquele abraço!

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