CRÍTICA | ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’

CRÍTICA | ‘Homem-Aranha: Longe de Casa’

Gostar do Homem-Aranha é fácil. Afinal, ele é um super-herói “gente como a gente”. Tem problemas na vida particular como qualquer adolescente, não é um megabilionário como Tony Stark e, principalmente: erra como todo ser humano. E como erra.

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Sensibilidade única

Em seu retorno às telonas após o bom “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (2017), o amigão da vizinhança traz todas essas características de volta. Mas vai além. O diretor Jon Watts emprega uma sensibilidade única, que posso dizer sem medo de exagero, não via no personagem desde o inigualável “Homem-Aranha 2” (2004), de Sam Raimi.

Obviamente, o fã mais xiita de aracnídeo pode chiar com as mudanças em relação à “literatura” original. De fato, Homem-Aranha: Longe de Casa passa longe da fidelidade às HQs. Mas isso já acontecera no longa anterior. E, amiguinhos, acostumem-se, afinal, as mudanças são realmente necessárias. Os tempos são outros. A não ser que os filmes se passassem nas décadas de 60, 70, 80… aí precisaria mudar toda a cronologia do Universo Cinematográfico da Marvel. Sabe que franquia se passa nesse período? X-Men. Então, preciso dizer mais alguma coisa?

Homem-aranha Longe de Casa (1)

A história

A saber, a trama se passa após o “Vingadores: Ultimato”, embora não precise exatamente quanto tempo. O mundo ainda sente a morte de Tony Stark e agradece aos heróis por salvarem o planeta. Há, inclusive, uma cena hilária logo no começo do filme que resume bem isso. Apesar disso, é época de férias escolares. Então, Peter Parker (Tom Holland) e seus colegas de classe fazem uma excursão pela Europa com os professores.

Nesse tour, nosso amigão da vizinhança se mostra apaixonado por Michelle Jones, vulgo MJ (Zendaya), e prepara um “plano” para conquistá-la. Além disso, ele aproveita para também dar umas férias para o Homem-Aranha. Como estamos falando de Peter Parker, é claro, tudo sai errado. Durante a sua aventura em Veneza, na Itália, ele se depara com Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), um misterioso herói que aparece para salvar o dia contra um suposto Elemental. Quentin teria vindo de um outro universo, sugerindo um pontapé inicial para um multiverso na Marvel (isso tem no trailer, tá? Não é spoiler), e se junta a Nick Fury (Samuel L. Jackson), Maria Hill (Cobie Smulders) e ao Homem-Aranha nessa batalha contra outros elementais.

Quem conhece os quadrinhos, pode não se surpreender com o que virá pela frente – e até terá um certo alívio, digamos. Já aqueles que não são profundos conhecedores das HQs, podem ter um plot twist bem legal. Ou seja, evitarei detalhes sobre a trama daqui por diante.

Homem-aranha Longe de Casa (4)

Ação de tirar o fôlego

Se as cenas de ação do longa anterior renderam algumas críticas, fiquem tranquilos com relação a Homem-Aranha: Longe de Casa. Afinal, o diretor consegue desenvolver alguns momentos EXCEPCIONAIS. Há algumas tomadas com o Mysterio que tive vontade de levantar da cadeira e aplaudir. Sem brincadeira. Takes que poucas vezes vi tão belos em filmes de heróis. Literalmente quadrinhos EXPLODINDO na tela!

Ademais, o cineasta aproveita o voo do aracnídeo por arranha-céus em determinados momentos que deixam o espectador sem fôlego. Em certos instantes, ele se utiliza até das conhecidas câmeras GoPro para deixar o cinéfilo mais perto da aventura, não se importando, muitas vezes, em borrar a imagem. É incrível!

Homem-aranha Longe de Casa (6)

Tom Holland é o Homem-Aranha definitivo

Já sobre o elenco de Homem-Aranha: Longe de Casa, eu confesso que sou um dos que ainda deixava Tobey Maguire ocupar o posto de número 1 entre os que interpretaram o aracnídeo. Entretanto, admito que me rendi. Obviamente que sempre gostei de Tom Holland, mas neste filme, ele se supera. O ator entrega um Peter Parker/Homem-Aranha definitivo. Divino. GENIAL. Vai ser difícil não associa-lo agora ao personagem. Há cada cena de arrepiar o mais gelado dos corações. Creio que até o próprio Tobey percebeu que o personagem está em boas mãos.

E não é só ele. Todo o elenco merece aplausos. Zendaya mostra evolução em cada filme, cada cena. Assim como Jake Gyllenhaal, que entrega um Mysterio estupendo. Angourie Rice (que interpreta a Betty), bem como Jacob Batalon (o amigo Ned), que fazem parte do elenco secundário, digamos, fazem uma dupla hilária.

Novos tempos

Mas voltemos ao começo do texto. A parte do “gente como a gente”. É aqui que gostaria de encher (ainda mais) a bola de Homem-Aranha: Longe de Casa. Certamente, os tempos mudaram. Embora o filme tenha a alma de obras os anos 80 de John Hughes, ele desmancha os velhos estereótipos com o que nos acostumamos há tanto tempo.

Além do Flash Thompson (Tony Revolori) que pratica bullying sem precisar usar a força física, temos um Peter Parker que não se apaixona pela menina mais bonita da sala, mas pela mais “maneira”, pela inteligência dela; o “gordinho” se dando bem com a “loirinha gatinha” da sala; um negro apresentando um telejornal – ainda que escolar…

Você pode até achar que isso é besteira. Mas não é. São pequenas ações como essas que introduzem na sociedade a aceitação da diferença, tão bem implementada nas HQs da Marvel e agora atualizada para as telonas na nova versão do aracnídeo. Por isso é que, em pleno século XXI, temos sim que aceitar uma Mary Jane negra e não ruiva. E quer saber? Eu já aceitei de peito aberto. Que venham mais filmes. MUITOS MAIS!

*Obs.: Há duas cena pós-créditos incríveis em Homem-Aranha: Longe de Casa. FIQUEM para assistir! Ambas são MUITO importantes para o futuro do Homem-Aranha e do Universo Cinematográfico da Marvel.

::: TRAILER

::: FICHA TÉCNICA

Título original: Spider-Man: Far From Home
Direção: Jon Watts
Roteiro: Chris McKenna, Erik Sommers
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Jake Gyllenhaal, Angourie Rice, Jon Favreau, Samuel L. Jackson, Cobie Smulders, Marisa Tomei, Jacob Batalon, Tony Revolori
Distribuição: Sony
Data de estreia: qui, 04/07/19
País: Estados Unidos
Gênero: aventura
Ano de produção: 2017
Duração: 130 minutos
Classificação: 10 anos

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