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CRÍTICA | ‘Outcast’: Apesar de prometer muito, série é prejudicada devido a personagens mal explorados e uma falta de consistência em seu roteiro

Este texto possui SPOILER

Terminou na última sexta (12), nos Estados Unidos, a primeira temporada de “Outcast“, nova série de Robert Kirkman, responsável pela produção de “The Walking Dead” e criador do spin-off desta última, “Fear The Walking Dead“.
Outcast” é uma série que aborda o tema sombrio de possessões demoníacas e mistérios sobrenaturais, veiculada pela emissora a cabo norte-americana Cinemax. A produção estreou no dia 3 de junho de 2016 com uma audiência considerável, quebrando um recorde dentro do próprio canal.
A sinopse gira em torno do drama vivido por Kyle Barnes (Patrick Fugit), um jovem com uma vida atormentada desde a sua infância, quando presenciou sua mãe totalmente descontrolada tomada por forças demoníacas. Desde então, Kayle cresceu com grandes traumas devido a tudo o que havia passado.

A verdade é que quando a série começa, as coisas parecem misteriosas por demais. Se a intenção de Kirkman era nos deixar com a pulga atrás da orelha, ele conseguiu. Em meio a uma cena perturbadora, onde o menino Joshua (Gabriel Bateman) aparentemente transtornado, começa a dar golpes com a cabeça na parede e depois surge comendo uma barata, Kirkman nos apresenta o tipo de horror que poderíamos encontrar em seu novo trabalho.
No entanto, tudo isso não passou de uma fachada para atrair audiência. E digo que até esperta o bastante. “Outcast” a partir de então seguiu com doses bem homeopáticas de tensão, com episódios arrastados por demais, que só vieram a se desenrolar a partir do quinto capítulo , com a revelação das várias entidades espalhadas pela interiorana cidade de Rome.

Em relação aos personagens tenho grandes ressalvas. Kyle Barnes (Patrick Fugit), apesar de originalmente ser um personagem de muito pouco carisma e totalmente introspectivo, inclusive devido ao trauma que passou, se viu totalmente bloqueado por um roteiro pouco atraente, transformando-o em um protagonista lento e enfadonho. Aliás, sua peregrinação para poder reencontrar Allison (Kate Lyn Sheil), sua esposa, se tornou digna de uma novela mexicana, cheia de entraves desnecessários.
Outro personagem de bastante destaque é o Reverendo Anderson (Philip Glenister), o pastor da região, que se vê ameaçado quando Barnes aparece como uma espécie de “enviado dos céus”, com um poder capaz de retirar as entidades malignas do corpo de seus hospedeiros. Na verdade só Kyle se mostra capaz disso, o que estremece o ego do pastor, principalmente quando o mesmo descobre que os exorcismos que ele havia feito no passado, talvez não tivessem sido tão exitosos assim. A questão da insanidade e o desejo de poder alterado por um super ego, foi sim uma questão bastante interessante em “Outcast“, se não posse embarreirada mais uma vez por um personagem chato e sem qualquer tipo de carisma. As aparições de Anderson eram sempre mais do mesmo, o que chegava a cansar em determinados momentos.

Entre outros personagens regulares temos também Megan Holter (Wrenn Schmidt), irmã de Kyle, talvez uma das únicas presenças interessantes de “Outcast“. Megan aparece como uma mulher desinibida, de atitude, sempre tentando resolver os problemas de seu irmão. Aliás, essa sim possui um grande carisma. Outra também de forte presença é Amber (Madeleine McGraw), filha de Kyle, que de fato só aparece mais assiduamente nos momentos finais da temporada, mas que em pouco tempo soube dar conta do recado. Já o restante do elenco não possui tanta expressividade assim. Talvez por isso alguns deles tenham morrido durante a temporada.
Como falei anteriormente, “Outcast” só embalou mesmo do meio pro final, quando descobrimos que qualquer personagem poderia ser um demônio em potencial. E a chegada de Sidney (Brent Spiner), chamado de “encarnação do diabo” pelo Reverendo Anderson, trouxe um clima de mais incertezas ainda. Até então ficávamos brincando de “caça às bruxas” com Kyle e o pastor, até que descobrimos que as entidades tinham sim um plano grandioso, plano este que não chegou a ser revelado, nem no final da temporada.

Outcast” pode ser comparada com aquele aluno bem medíocre, que apenas tira notas para passar. Digo que o ponto mais alto da série foi exatamente a possessão de Megan, que para mim estava claro que iria acontecer, visto que o tempo todo falavam que Kyle eram como um ímã para as entidades do mal. E mesmo assim, creio que a cena não foi trabalhada de maneira eficiente, talvez por ter sido quase no último episódio. Só acho que poderia ter rendido um pouco mais.
De resto, “Outcast“, que já foi renovada para uma segunda season, ainda tem que comer muito feijão com arroz para chegar a impressionar em alguma coisa. Apesar de ter um clima bastante sombrio, seu roteiro, combinado com personagens chatos e desinteressantes, fazem com que a coisa se arraste para um resultado não muito agradável. E ainda digo que se continuar assim, nem os fãs mais fervorosos de Robert Kirkman poderão salvar a audiência de rolar ladeira abaixo.
Trailer:

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