Filhos da Esperança antecipa o mundo pós-pandemia

Filhos da Esperança antecipa o mundo pós-pandemia

O diretor mexicano Alfonso Cuarón tem um olhar especial no quesito humano em suas produções. Seja em obras mais intimistas como ‘Roma’, de 2018; claustrofóbicas como ‘Gravidade’ (Gravity, 2013) e, principalmente, em Filhos da Esperança, drama pós-apocalíptico que, infelizmente, naufragou nas bilheterias mundiais.

Sinopse

Filhos da Esperança se passa em 2027. Neste período, a infertilidade é uma ameaça real para a civilização e o último bebê humano tem agora 18 anos. Após a sua morte, o futuro da humanidade corre seríssimos riscos. Theo Faron (Clive Owen) é um burocrata desiludido e apolítico. Após a ativista Julian Taylor (Juliane Moore), sua ex-esposa, descobrir uma jovem mulher grávida, ele parte em uma jornada heroica para protege-la.

O roteiro escrito por Cuarón e seus quatro amigos fica mais atual agora em que a pandemia causada pela Covid-19 atinge a humanidade e, assim como no filme, cada um reage de alguma forma que, em muitos casos, se assemelha com o que vemos em diversos cantos do planeta. Pessoas, antes de mais nada, conscientes que preferem viver em seu mundo; assim como outros que desistiram da humanidade e se refugiam em seu ‘paraíso particular’; bem como outros que preferem lutar; e, por fim, os que não ligam a mínima para o próximo e os governos agindo pelos próprios interesses.

Elenco

Parte da beleza de Filhos da Esperança está, a princípio, em seu elenco poderoso. Julianne Moore é deslumbrante como sempre; Clive Owen igualmente se destaca muito como o homem comum que resolve ser protagonista; Clare-Hope Ashitey demonstra uma força descomunal no papel da imigrante grávida Kee; assim também como as ótimas atuações de Peter Mullan, Chiwetel Ejiofor e Michael Caine. Este último, a saber, funciona perfeitamente como alívio cômico no papel do hippie Jasper, que vive no meio do mato, alheio a tudo e nos lembrando como era a vida antes da pandemia.

Aliás, as cenas de Caine servem como um belo contraponto as cores e fotografia do filme. Em sua grande parte estamos, a saber, na chuvosa e cinzenta Londres. Totalmente densa, sombria e, assim, sem esperanças. Por outro lado temos a cabana de Jasper, colorida, florida, acolhedora e alegre, como um dia as casas das pessoas em geral também foram.

Filhos da Esperança é, antes de tudo, um filme sobre algo que está muito em falta atualmente: amor. O amor ao próximo, amor a humanidade, amor a nós mesmos, a nossa vida, bem como a de nosso amigos, nossos familiares, aos que nos faz bem e aos que não conhecemos. Por fim, é também uma declaração de amor à vida e como a beleza do nascimento é capaz de nos unir, nos fazer refletir e, principalmente, amar.

Filhos da Esperança

Ficha técnica

Título original: Children of Men
Data de lançamento: 5 de janeiro de 2007
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón, Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus, Hawk Ostby
Elenco: Clive Owen, Michael Caine, Julianne Moore, Clare-Hope Ashitey, Pam Ferris, Chiwetel Ejiofor, Charlie Hunnam, Peter Mullan, Oana Pellea, Danny Huston
Países: Estados Unidos, Reuno Unido, Japão
Idioma: Inglês
Duração: 109 minutos
Classificação: 16 anos
Onde assistir: Netflix e comprar ou alugar no Google Play e Youtube

8.0
saldo total
Créditos Galáticos: 8
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Um belo filme sobre um triste período que um dia, talvez, seremos obrigados a viver
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