Herói por Acidente | Humanidade e heroísmo

Herói por Acidente | Humanidade e heroísmo

Dirigido por Stephen Frears, ‘Herói Por Acidente’ (Hero, 1992) nos traz, antes de mais nada, uma grande questão: O que é de fato heroísmo?  Em uma época em que vemos dezenas de filmes de pessoas e alienígenas com superpoderes em busca da justiça, deixamos de lado um elemento importante nessa equação. A humanidade.

Não a humanidade em relação aos habitantes da terra. E sim, a humanidade no sentido de bondade. O ato de ser humano. Aquele sentimento, benevolência em relação aos semelhantes, bem como de compaixão, piedade e amor em relação aos desfavorecidos. Com um grande elenco, uma ótima direção e um roteiro muito bem amarrado, Herói Por Acidente procura dar respostas a isso com humor e drama na medida certa.

Sinopse

Bernie Laplante (Dustin Hoffman) é, em suma, um ‘ladrão de galinhas’, vagabundo, mentiroso e trapaceiro. Apesar do caráter duvidoso, faz o primeiro gesto altruísta de sua vida. A saber, ele ajuda salvar passageiros que sobreviveram a um acidente de avião na estrada, sumindo logo depois.  Na esperança de encontrar o seu herói, a repórter Gale Gayley (Geena Davis) anuncia um prêmio de US$ 1 milhão para ele se apresentar. Mas, quando o bonito vagabundo John Bubber (Andy Garcia) recebe o crédito, Bernie luta para expô-lo em meio a um circo de mídia e incontáveis fãs.

O que é um herói?

Acostumado a abordar questões adversas em seus filmes, Stephen Frears faz o mesmo em Herói Por Acidente. As vezes de maneira bem explícita e em outras com muita sutileza, o cineasta sempre questiona o espectador. Neste caso, o que é necessário para ser um herói? Por que estamos sempre precisando de um herói para idolatrar?

Assim, ele nos leva a refletir se um golpista mequetrefe e mal humorado como Laplante pode ser um herói de verdade. Ou se é possível um transformar um “vagabundo charmoso” em herói da noite para o dia, mesmo sabendo que não foi ele o responsável pelo ato de bravura.

Imprensa e sociedade

E, principalmente, qual o papel da imprensa nessa superexposição desse ato heroico. E como, em suma, ela procura tirar vantagens própria ao endeusar esse heroísmo mesmo quando descobre que o verdadeiro herói não é aquele que pode ser considerado como tal. Afinal de contas, melhor um herói mentiroso, porém, charmoso e encantador do que um herói verdadeiro, mas feio, sujo e rabugento.

Isso, em outras palavras, acaba sendo um grande tapa na cara da nossa sociedade. Mostrando que nós, assim como a imprensa, só conseguimos enxergar a beleza e o heroísmo quando e em quem nos convém.

A inocência e o heroísmo

Por fim, enquanto questiona o papel da sociedade, bem como o da imprensa. Freas nos lembra que embora tenhamos nossas falhas e virtudes, todos somos capazes de nos tornar um herói. Nem que seja apenas por um dia. Nem que seja um sujeito como Laplante. Ele, que em outras palavras, é visto por todos como um pária e pela ex-esposa como um fracassado, sempre será um herói aos olhos do filho. Independente do que as outras pessoas dizem sobre ele.

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Ficha técnica – Herói Por Acidente

Título Original: Hero
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Laura Ziskin, Alvin Sargent
Elenco: Geena Davis, Dustin Hoffman, Joan Cusack, Andy Garcia, Tom Arnold, Stephen Tobolowsky, Maury Chaykin, Kevin J. O’Connor
Data de estreia: 2 de outubro de 1992
Ano de produção: 1992
Gênero: drama, comédia
Duração: 117 minutos
Países: Estados Unidos
Idioma: inglês
Classificação: 12 anos
Onde assistir: Now, UOL, Youtube, Google Play, Paramount+

8.0
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Créditos Galáticos: 8
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Uma ótima reflexão sobre quem pode ou não ser considerado um verdadeiro herói
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