‘O Povo Contra Larry Flynt’ e a liberdade de expressão

‘O Povo Contra Larry Flynt’ e a liberdade de expressão

Antes de mais nada, importante afirmar que Larry Flynt era um defensor ao extremo da liberdade de expressão. Polêmico, maluco, sem papas na língua, bem como extremamente corajoso, ele era uma espécie de Hugh Heffer da classe operária. E enquanto este último era, digamos, mais artístico com as suas coelhinhas da Playboy, o primeiro foi o percursor de expor mulheres em posições ginecológicas em sua Hustler. Flynt nos deixou no último dia 10 e, por isso, vamos falar um pouco do seu filme autobiográfico ‘O Povo Contra Larry Flynt’, de Milos Forman.

O Povo Contra Larry Flynt

Lançado em 1996, o filme fez sucesso de crítica, sendo indicado ao Oscar de melhor diretor (Forman) e melhor ator (Woody Harrelson) e vencedor de dois Globos de Ouro. A saber, Forman como melhor diretor, além de Scott Alexander e Larry Karaszewski pelo roteiro.

Assim como em O Mundo de Andy, Forman pouco explora a infância do seu “biografado”. Ele mostra apenas um pouco da infância pobre de Larry Flynt no Kentucky, quando vendia bebida alcoólica caseira para os trabalhadores mais pobres e depois salta para seus 20 e poucos anos, quando começou a administrar a boate Hustler Go-Go. Seu primeiro ato “visionário” foi fazer panfletos com fotos das mulheres da casa. Com o sucesso, veio então o pedido para inclusão de textos e, na sequência, surgiu a Hustler.

Althea Leasure

O salto na vida de Flynt acontece quando ele começa a namorar e depois casar com uma de suas strippers, Althea Leasure (Courtney Love). Ela quem o ajuda a se tornar, enfim, um milionário. Com a sua popularidade, os protestos começam a surgir. Principalmente, dos conversadores. Depois de uma prisão, conversão ao cristianismo, mudanças no rumo da Hustler, parecia que Flynt sossegaria. Até o dia que ele foi alvejado na saída de um julgamento e ficou paralisado para sempre da cintura para baixo. Isso o deixa (bem como Althea) viciado em morfina.

Os Julgamentos

Assim, Larry Flynt meteu um pé na bunda do cristianismo, e comprou a maior briga de sua vida ao publicar uma charge polêmica com o líder evangélico Jerry Falwell. O religioso o processou por difamação, enquanto ele processou o religioso por violação por direitos autorais, porque Falwell publicou trechos da revista em panfletos para inflar a comunidade. É justamente neste processo que o filme cresce.

Edward Norton, no papel do advogado de Flynt, Alan Isaacman, assume as rédeas do filme e serve de um ótimo escada para Harrelson brilhar, principalmente com as barbaridades proferidas no tribunal, bem  como na difícil relação com Althea, sofrendo cada vez mais com seu vício e com o drama após contrair o vírus da Aids. Esse é o gatilho que faz com que Flynt leve o seu caso para a Suprema Corte, para lutar pela liberdade de expressão.

Por fim, O Povo Contra Larry Flynt é uma cinebiografia agridoce. Capaz de fazer o espectador gargalhar em muitos momentos, bem como se emocionar em muitas partes, além de causar revolta por saber que essa onda conservadora tão combatida por Flynt está de volta e longe de acabar.

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Ficha Técnica

Título Original: The People vs. Larry Flynt
Direção: Milos Forman
Roteiro: Larry Karaszewski, Scott Alexander
Elenco: Woody Harrelson, Courtney Love, Edward Norton
Data de estreia: 10 de janeiro de 1997
Ano de produção: 1996
Gênero: drama, comédia, biografia
Duração: 130 minutos
Países: Estados Unidos
Idioma: inglês
Classificação: 18 anos
Onde assistir: HBO GO, Youtube e Google Play

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Viva a liberdade de expressão e abaixo o conservadorismo
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