Em entrevista, Luca Bori fala sobre a liberdade artística de seu primeiro álbum solo

Em entrevista, Luca Bori fala sobre a liberdade artística de seu primeiro álbum solo

Músico nunca para quieto e é normal sempre guardarem algumas coisas para si, até acharem o momento certo de compartilhá-las com o mundo. Há mais de dez anos na estrada com a Vivendo do Ócio, Luca Bori, baixista da banda, sempre compôs e foi ligado a outros tipos de expressões artísticas, como pinturas e desenhos. Há três anos, o músico começou o projeto “Jardim Soma”, que integra música, bem como artes visuais.

“Antena”, o primeiro álbum do projeto, retrata conexão, seja ela entre as artes ou amigos. A saber, o álbum foi produzido totalmente independente e leva a assinatura de Luca na identidade visual. Aliás, o disco conta ainda com participações pra lá de especiais. Assim, gravado de forma bem intimista, ele traz – em suas nove faixas –  músicas que misturam vários ritmos, desde a psicodelia até referências mais brasileiras. Em entrevista ao BLAHZINGA, ele falou sobre o processo de criação e muito mais. Confira:

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BLAHZINGA: Esse é o seu primeiro trabalho totalmente solo, apesar de você já estar na estrada há alguns anos. Por que só agora lançar esse trabalho?

Luca Bori: Era o momento certo, 2016 foi o ano que eu resolvi colocar essa ideia nova em prática, sempre compus muita música e algumas não se encaixavam tanto em meus outros projetos musicais, daí veio a ideia do “Jardim Soma”, como um espaço criativo onde eu pudesse dar vida a todos esses sons, experimentando coisas novas e misturando tudo isso com minhas ilustrações.

BLAHZINGA: Em “Jardim Soma”, você assina não só a composição das músicas, mas também as artes gráficas. Foi um desafio? Ou foi mais fácil chegar ao resultado final justamente por ser você o envolvido em todos os processos?

LB: Foi um desafio, principalmente na parte de produção dessas músicas, trabalhar em um formato totalmente diferente, sem banda, sem ensaios, me fez conhecer um outro mundo, apesar do processo levar mais tempo, me trouxe novas possibilidades de composição que acabaram influenciando na identidade do álbum. Em relação ao processo gráfico, acabou sendo bem divertido, trouxe toda a experiência que ganhei com a Vivendo do Ócio e também coisas novas, como os desenhos e as animações.

BLAHZINGA: O projeto tem a participação de vários artistas conhecidos da cena underground (Curumin, Vicente). Como rolaram essas parcerias?

LB: As escolhas aconteceram de forma bem natural. Curumin que produziu o álbum “Selva Mundo” (2015), acabou virando um grande amigo e na época dos ensaios de produção do álbum da Vivendo do Ócio ele tinha curtido muito a música “Seguir”. Mas ela acabou não entrando para o repertório do álbum, então 3 anos depois quando escolhi as músicas para o “Antena” resolvi convidar ele pra dividir os vocais e ele topou na hora! Já Vicente é um amigo de longa data daqui de Salvador, a arte que ele faz tem muita ligação com o Jardim Soma, tanto pelo som experimental, quanto pelas ilustrações que dão força à identidade do seu som. E isso acabou unindo muito nossa música.

BLAHZINGA: Quem acompanha o seu trabalho na Vivendo do Ócio consegue perceber que esse é um trabalho bem diferente do qual você mostra na banda. “Jardim Soma” é um outro lado seu que você queria compartilhar com o público que te acompanha?

LB: Nesse trabalho tive a oportunidade de experimentar outros instrumentos, guitarra, teclado, mpc e muitos efeitos, fiz tudo com muita calma. Porém, nada foi pensado pra chegar nessa sonoridade, eu já sabia quais caminhos queria seguir, porém, sem saber o resultado final, tudo foi tomando corpo durante o processo e isso é o mais legal. Agora que consigo olhar o álbum de fora, tô começando a entender sua identidade como um todo.

BLAHZINGA: Ouvindo as músicas, conseguimos pegar algumas referências de outros artistas nordestinos. “Jardim Soma” seria uma forma de colocar outras influências suas nas músicas?

LB: Sim, no álbum “Antena” também consegui trazer outras pessoas que acabaram influenciando diretamente na sonoridade, como Thiago Guerra, também do nordeste, que além de produtor também participou na gravação de várias percussões, instrumentos de cortas e teclados, acentuando ainda mais as nossas raízes.

BLAHZINGA: O disco foi gravado de maneira totalmente independente, certo? Como foi esse processo de composição, escolha das letras que iriam para o CD? 

LB: Foi bem doido, um processo totalmente livre, comecei a gravar o álbum em 2017 no estúdio VDO, depois a convite de Thiago Guerra acabamos regravando a maioria das músicas no seu estúdio, o Concha. Muita coisa de voz foi gravada dentro do meu quarto com o microfone dentro do guarda-roupa, misturado com meus casacos, (rs). E no meio de tudo isso acabei voltando a morar em Salvador, então acabei finalizando o que faltava por aqui em casa, no estúdio Carmo 44.

Sobre a escolha das músicas, foi um processo natural, a maioria das músicas eu tinha feito a muitos anos e estavam esperando a hora certa de serem gravadas, e outras mais recentes. O mais interessante foi que sem perceber acabei escolhendo músicas que falavam sobre criatividade, conexão artística e sobre fazer o que gosta, por isso batizei o álbum de “Antena”, como uma forma de representar a maneira como a gente absorve o que tem ao nosso redor, transforma isso em arte e coloca de volta no mundo

BLAHZINGA: O álbum teve gravação nos estúdios de Thiago Guerra (Fresno) e mixagem de Gabriel Zander. Trabalhar com amigos te fez sentir mais livre nesse processo? Acha que essa liberdade fez diferença no resultado final?

LB: Com certeza, traz um tipo de confiança a mais no que você tá fazendo. Além de grades amigos são pessoas que a gente admira demais e que trabalham de forma extremamente profissional, então tudo acaba ficando mais fácil. 

BLAHZINGA: “Mundo Louco” tem a participação de Dieguito. Essa foi uma forma de reviver um pouquinho o Contra Senttido, antigo projeto de vocês paralelo a Vivendo do Ócio?

LB: De uma forma diferente, no Contra Senttido a gente tinha uma fórmula de fazer um som pesado e sem guitarra, já na música “Mundo Louco” foi o contrário, acabamos pirando demais nas guitarras, tanto nos efeitos quanto nos riffs, trazendo uma sonoridade mais psicodélica e tranquila.

BLAHZINGA: “Planeta Mim” e “Portal” são músicas completamente instrumentais. Dessa forma, podemos esperar um próximo disco só instrumental também?

LB: Acho que podemos esperar um pouco de tudo, um dos pontos positivos do projeto é ter essa liberdade artística, já algumas ideias para os próximos álbuns e experimentar bastante com certeza faz parte de todas elas.

BLAHZINGA: Qual é a sua música favorita do álbum?

LB: Difícil escolher, toda semana tenho uma (rs), acho que no momento é “O Som”. Gosto de toda a evolução que tem durante a música e nela dá pra ter um gostinho de toda a experimentação que tem no álbum.

BLAHZINGA: Recentemente, você tocou com a Vivendo do Ócio no Rock in Rio, um dos principais festivais de música do mundo. Como foi essa experiência? Podemos esperar shows do “Jardim Soma” por aí também?

LB: Foi demais, o Rock in Rio é um dos maiores festivais do mundo e tocar lá depois de 13 anos de banda com certeza é uma grande realização. Com o Jardim Soma, já estamos ensaiando e, em breve, estaremos assumindo os palcos, quem sabe um dia chegamos nos palcos dos grandes festivais.

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