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‘O Poder e a Lei’ comete erros de produções do gênero, mas tem seus atrativos

Baseada no best-seller de Michael Connelly, a série O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer), que estreou recentemente no catálogo da Netflix, tem estado frequentemente bem colocada no Top 10 na plataforma. O sucesso não é à toa, já que o seriado segue o padrão de outros que costumam ser muito populares por aqui, como Como Defender um Assassino, Lei e Ordem, Suits, fazendo uma mescla com Criminal Minds, CSI, NCIS, entre outras. Até a introdução e a trilha sonora utilizada nela são semelhantes.

O Poder e a Lei: história da série

Na trama, Mickey Haller (Manuel Garcia-Rulfo) é um advogado que administra seu escritório de advocacia no banco de trás de seu carro, enquanto assume alguns casos em Los Angeles. Afastado após um acidente surfando por quase um ano, ele está de volta ao tribunal, se recuperando de um vício em drogas.

Quando seu amigo Jerry Vincent é assassinado, Haller herda seus clientes, incluindo a defesa de Trevor Elliott (Christopher Gorham), um bilionário da tecnologia acusado de assassinar sua esposa e seu amante. Mas enquanto se prepara para o caso que pode fazer sua carreira decolar novamente, ele descobre que o assassino de Vincent pode estar vindo atrás dele.

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Padrão comum

No início do texto citamos a semelhança de O Poder e a Lei com outras séries de advogado, tribunal ou investigação. Mas que padrão é esse? Em todas essas produções, o advogado é sempre inserido como uma espécie de herói, que utiliza de todas as formas possíveis – sendo legais ou não – para resolver seus casos. O termo, inclusive, é utilizado na série para descrever o protagonista.

A questão da licitude dos atos fica em segundo plano em obras do gênero, já que se trata de ficção. Aqui, o que importa mesmo é solucionar tudo das maneiras mais improváveis possíveis, gerando plots twists um atrás do outro e mantendo o mistério até o fim.

Entretanto, algumas dessas séries têm artimanhas interessantes para manter o espectador preso à trama, como um roteiro coeso, bons atores, uma direção firme e até uma quebra de expectativas, inserindo, inclusive, humor ao enredo. O Poder e a Lei repete alguns desses artifícios interessantes, mas, infelizmente, também reproduz alguns dos principais erros.

Problemas

O primeiro deles é o excesso de personagens e casos que nada acrescentam. Servem apenas para mostrar o quanto o protagonista é capacitado e bem relacionado. Além disso, o problema do personagem com as drogas é mal aprofundado, não interferindo em praticamente nada na trama.

O grande drama da série é, certamente, o relacionamento de Haller com Maggie McPherson (Neve Campbell), que são divorciados e têm uma filha adolescente. Ainda apaixonado pela ex-mulher, ele tenta de todas as formas retomar o vínculo, ultrapassando a linha do bom senso muitas vezes, em uma relação quase abusiva.

Além disso, as atuações, com exceção da “veterana” Neve Campbell, são medianas – muitas vezes caricatas -, prejudicando a empatia com o público que assiste, o que torna as situações bem pouco verossímeis. Até alguns figurinos ajudam a deixar as situações mais burlescas.

Tribunal e humor

Apesar disso, as cenas de tribunal são interessantes, gerando bons embates entre os advogados. Essas são as cenas que, sem dúvida, vão prender mais a atenção do espectador. Mas, para uma série de advogados, esses momentos são menos constantes do que deveriam.

O alívio cômico citado anteriormente como um dos escapes em produções do gênero fica a cargo de Dennis ‘Cisco’ Wojciechowski (Angus Sampson), uma espécie de assistente dos advogados, que faz de tudo para conseguir as provas, inclusive intimidar testemunhas, o que só torna a série menos factível ainda. Embora seja o responsável pelo resquício de humor em O Poder e a Lei, suas cenas só fazem rir quem não é tão exigente com a comédia.

Bons predicados

Apesar de diversos problemas, O Poder e a Lei tem alguns bons predicados. Afinal, mostra que há erros nas investigações policiais, algo que costuma ser glorificado em produções do gênero. Aliás, também aborda alguns – ainda que superficialmente – assuntos como racismo e dependência química.

Além disso, tem alguma representação LGBTQIA+ através da personagem Izzy Letts (Jazz Raycole), embora também não se aprofunde nesse tema. Contudo, a julgar pelo gênero da série, nem fazia sentido. Mas tratando a relação como algo “normal” já é um bom indício que as coisas estão mudando em Hollywood.

Então, se você é do tipo que curte séries policiais e de tribunal, O Poder e a Lei pode ser um bom atrativo para o fim de semana. Ainda que o roteiro cheio de barrigas, com 10 capítulos de cerca de 50 minutos para resolver basicamente um caso específico, seja deveras cansativo.

Onde assistir à série O Poder e a Lei?

A saber, a série O Poder e a Lei está disponível para assinantes da NetflixAliás, está de olho em algo na Amazon? Então apoie o ULTRAVERSO comprando pelo nosso link: https://amzn.to/3mj4gJa.

Por fim, não deixe de acompanhar o UltraCast, o podcast do ULTRAVERSO:

Trailer da série O Poder e a Lei, da Netflix

O Poder e a Lei: elenco da série (Netflix)

Manuel Garcia-Rulfo
Neve Campbell
Becki Newton
Jazz Raycole

Ficha Técnica: O Poder e a Lei (Netflix)

Título original da série: The Lincoln Lawyer
Criação: David E. Kelley
Direção: David Grossman, Alonso Alvarez, Bill D’Elia, Erin Feeley e Liz Friedlander
Roteiro: Michael Connelly, Ted Humphrey, David E. Kelley, Chris Downey, Andi Bushell, Zach Calig, Justin Peacock, Gladys Rodriguez e Ryan Hoang Williams
Episódios: 10
Duração: de 46 a 56 minutos
País: Estados Unidos
Gênero: drama de tribunal
Ano: 2022
Classificação: 16 anos

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