Sempre que algum “brazuca” se destaca na criação de jogos, merece uma menção honrosa logo no começo do nosso post. E neste caso, são duas menções: Arthur Protasio e Rodrigo Correa projetaram o game Sword Legacy Omen,  RPG que narra a história anterior à Lenda do Rei Arthur. O jogo foi desenvolvido pelos estúdios da Firecast e Fableware, e publicado pela Team 17.

Dados os devidos créditos vamos começar contando um pouco da história deste game indie, a qual o protagonista é Uther, um nobre cavaleiro que luta pela sua honra em seu reino, uma Britannia arruinada pela guerra e miséria. Quem vai ao seu socorro é uma figura bastante conhecida, o mago Merlin.

O feiticeiro é famoso, porém Uther quase não é mencionado em nenhuma história que envolva o Rei Arthur, salvo pela série da BBC chamada Merlin, onde o Rei que antecede os passos de Artur, sendo pai do mesmo, aparece um pouco mais. Já o filme de 1981 chamado Excalibur, dirigido por John Boorman, mostra a queda de Uther Pendragon e seu pacto pavoroso com Merlin, coisa que não acontece no show. Por sinal, a película é um clássico, trazendo ao seu elenco atores consagrados como Helen Mirren, Gabriel Byrne, Liam Neeson e Patrick Stewart.

Voltando para o mundo dos games e Sword Legacy Omen, podemos verificar que a história é contada de uma forma muito fluída e coerente. O desenvolvimento do enredo não dá margem para pontas soltas. Já os personagens,cada um com seu passado e personalidade, acabam ditando o ritmo do jogo. Inclusive, as características de cada um são essenciais para a estratégia no game, como veremos mais a frente.

O bom desenvolvimento do jogo oferecido pela bela roteirização, também é fruto de um gráfico muito bem desenhado e detalhado. O estilo, em graphic novel, foi totalmente inspirado em The Banner Saga, e o resultado desta mistura foi sensacional. Podemos ver a miséria de um reino decadente e as marcas provocadas pela guerra de uma forma mais lúdica. O colorido e a forma do traço deixam o ambiente mais leve, sem perder a seriedade que envolve o tema.

Por falar em cenário, este item tem forte influência no sistema de batalha, já que permite a interação de alguns itens, tanto para proteção como para o ataque. E neste momento entra a importância das características de cada personagem, mencionado no começo deste texto. Os confrontos acontecem em turnos, e como no bom e velho RPG de mesa, o jogador precisa calcular bem os seus movimentos para andar e atacar utilizando a pontuação que cabe a cada herói. Se esconder atrás de um barril pode ser uma decisão sábia para evitar um ataque mortal do inimigo, ou promover uma emboscada pode favorecer o jogador em momentos que a equipe está com a energia baixa.

Este sistema de combate é muito interessante, porque deixa o nível do game mais desafiador, como se fosse um jogo de xadrez. Quem, jogou X-com: Enemy Unknown entenderá exatamente o que estou falando. Outro ponto positivo é Inteligência Artificial dos inimigos, que analisa o perigo e recua ou avança, de acordo com a movimentação dos personagens. ­­Você não encontrará um arqueiro “desvairado” se aproximando para atingir o alvo muito perto. Em contrapartida, estes inimigos parecem acertar um tiro impossível, dependendo do posicionamento do jogador. Alguns bugs (não muitos) contribuem para dificultar a movimentação do personagem. Mas, nada que atrapalhe substancialmente os momentos de batalha.

O “Sistema de Stress” é mais uma tentativa dos desenvolvedores em trazer mais realidade ao sistema. Em situações verdadeiramente difíceis, o personagem pode “amarelar” e ter uma espécie de síndrome do pânico. Quando isso acontece, o jogador perde o controle sobre o herói e este passa a andar de um lado para o outro, gastando pontos de movimento. É difícil entender o que verdadeiramente causa este problema, mas sua estratégia pode acabar de uma hora para outra, quando você passa a trabalhar com um maluco na equipe.

A trilha sonora do título também é um ponto positivo. As músicas ajudam a contextualizar o cenário e ditam um ritmo de tensão nos momentos de batalha. Se não possui uma trilha sonora brilhante, o game está longe de comprometer a sua parte de áudio, com produção coerente e sem exageros.

O VEREDITO

Para quem curte RPG, Sword Legacy Omen merece sua atenção. A história é envolvente e o desafio mistura ação e estratégia de uma maneira bastante equilibrada, não é à toa que o título vem ganhando elogios dos veículos especializados em jogos eletrônicos. Como um jogo indie feito exclusivamente para o PC, certamente o sucesso provocará a criação de versões para os consoles de nova geração. Vamos aguardar.