7 fatos que não aguentamos mais em produções lésbicas

7 fatos que não aguentamos mais em produções lésbicas

A representatividade das relações lésbicas no audiovisual pode até ser que tenha aumentado – assim como a LGBTQA+ como um todo. Mas são poucas as produções que saem do óbvio ou ajudam a desconstruir estereótipos. Afinal, as vezes só queremos ver um filminho ou série tranquilas e nos sentirmos representadas por um casal nas telas.

Não é à toa que, quando pensamos em alguma produção que apresente relações lésbicas com naturalidade, dificilmente fugiremos de The L Word. É bem verdade que a série de 2004, por muitas vezes, caía em algum clichê, mas desconstruía muitos tabus com naturalidade.

Então, a importância de The L Word se dá por uma razão muito simples. Ainda que o plano de fundo da temática seja apoiado no “ser lésbica”, a sexualidade das protagonistas na série é só uma faceta (ainda que muito importante para a narrativa) das personagens. E, seja qual for a personalidade de qualquer produção audiovisual, sua história e cotidiano são muito mais que isso.

Mas, apesar do mundo estar cada vez mais “arco-íris” e a indústria do entretenimento apoiar progressivamente a causa, The L Word continua sendo referência ao abordar o assunto com naturalidade. Justamente pela falta de produções distribuídas nas plataformas de audiências massivas que se apresentem assim. 

Nesse post, então, vamos falar de cinco fatos nas séries e filmes lésbicos que não aguentamos mais. São situações só perpetuam um ciclo vicioso de temáticas que dão visibilidade à causa. Confira:

1- Saindo do armário

Sim, sair do armário é um big deal. No entanto, para a maioria das pessoas, é extremamente complicado. Mas parece que uma boa parte das produções que abordam o assunto levam esse momento como questão principal.

Não estou falando sobre tirar a importância dele. Todavia, é preciso entender que não é porque está representando relações lésbicas (ou homossexuais como um todo) que esse momento é central e inevitável na narrativa. A maioria das vezes, inclusive, é repetitivo.

Tudo bem quando parte desse momento, mas é cansativo girar apenas em torno desse assunto. 

2- Sobre lésbicas se apaixonarem pelas melhores amigas

Outro caminho campeão percorrido pelas narrativas audiovisuais lésbicas é quando a personagem está se descobrindo. Ela se apaixona pela melhor amiga, que, muitas dessas vezes, é hetero. Assim, a fantasia só acontece na cabeça da protagonista.

Ainda que isso seja reflexo de muitas situações reais, isso não acontece tanto nos relacionamentos heterossexuais. Por mais que existam filmes como Juno ou De Repente 30, onde o casal protagonista é formado por melhores amigos, a temática não é tão repetitiva quando comparada ao universo lésbico.

Essa questão, inclusive, costuma ser problemática. Isso porque pode perpetuar a ideia de que ser lésbica significa que qualquer mulher que se aproximar de outra não irá respeitá-la. 

3 – Sobre ser casada/hetero e querer uma ‘aventura’ (ou estar em um casamento ruim)

Acho que um dos caminhos mais seguidos pelas produções de massa que retratam relacionamentos lésbicos é a vontade de uma “mulher hetero viver uma aventura” ou “ser seduzida por outra mulher e ficar na dúvida sobre seu casamento hetero”.

Obviamente, isso acontece no mundo real. Mas essa frequência, bem como pequenas variações do mesmo tema, só reafirmam um imaginário de fugacidade e liquidez (no sentido de líquido de Bauman) das relações lésbicas.

Imagina que louco um filme com duas meninas que namoram, mas elas ficam com um cara só pela fantasia e aventura? Bem, provavelmente você pensou em  Minhas Mães e Meu Pai.

Apesar de bom, trata-se de um drama e tende muito mais para o lado de se “precisar de um homem” do que como uma aventura onde o homem é apenas um objeto de desejo, como acontece no contrário. 

4 – Comparação com promiscuidade

Muitas vezes a homossexualidade é diretamente relacionada à promiscuidade. Quem nunca ouviu uma tiazona esbravejar “ah, eu não tenho nada contra gay, o que eu não gosto é da falta de respeito e da promiscuidade”?

Mas o que seria essa promiscuidade? Beijar na rua? Andar de mãos dadas? Não ter vergonha de ser você mesmo? O problema é que muitas vezes tratam as relações lésbicas na TV ou no Cinema como fúteis, frágeis, fugazes, isentas de responsabilidades e compromissos. Dessa forma, não é à toa que as tiazonas continuam propagando essa ideia.

Não adianta falar que o seriado X ou o filme Y  são moderninhos se as relações que eles apresentam são cercadas por traições e elos frágeis. Vejam bem: a ideia aqui não é ser conservadora, mas ampliar os horizontes para mostrar que, sim, existem relacionamentos sérios e famílias homoafetivas. Inclusive, boa parte é bem mais unida que muitas tradicionais…

5- Representando demais o passado

Outra temática que aparece com frequência nas grandes produções é a representação de casais lésbicos há muitas décadas atrás. Assim como tratam da dificuldade de inserção e trânsito na sociedade. Muitas delas são, inclusive, inspiradas em fatos reais e o trabalho, como um todo, costuma ser impecável.

Mas parece que essa temática deixa uma falsa impressão. Afinal, faz transparecer que, só porque agora existe um movimento progressista significativo e que, em boa parte dos países, você já não é preso por ser homossexual, “está tudo bem”. Não, não está.

Por melhor que seja a execução do filme – e por maior que seja sua importância ao trazer histórias que precisam ser contadas -, sempre se tem aquele sentimento de que “nossa, olha como era ruim naquela época”.

Contudo, as problemáticas ainda continuam. Então, como apresentar situações corriqueiras, cotidianas e que se alinham à sociedade moderna se sempre o que se representa é o passado? 

6- Mulheres lésbicas como problemáticas: alguma do casal é “meio maluca”

Vale destacar também que, muitas vezes, uma das personagens do casal é apontada com distúrbios de comportamento. Isso também ajuda a relacionar a ideia de “mulheres loucas” com a homossexualidade.

Em boa parte das situações, elas aparecem como revoltadas, depressivas, antissociais, agressivas e/ou antipáticas. Enfim, qualquer adjetivo negativo que conecte a instabilidade psicológica à sexualidade. 

7 – As trocas de afeto entre lésbicas são escondidas

Sim, nós sabemos que, na vida real, é muito mais seguro não trocar gestos de carinho em público. Mas, se nem na ficção isso pode ser naturalizado, como a sociedade vai se “acostumar”? 

E aí fica a reclamação. Às vezes, a gente só quer curtir um filminho ou maratonar uma série. Mas, no quesito representatividade, as opções de produções de fácil acesso e presentes nas plataformas mainstream se limitam, em sua maioria, nas temáticas e características acima.

No entanto, temos de admitir que pequenas produções das plataformas de streaming, assim como algumas independentes, têm ganhado cada vez mais espaço.

Por isso, é claro que vamos citar algumas dicas de filmes e séries valiosas. Embora elas ainda que apresentem muitas das características acima, também tratam da homossexualidade – mais especificamente dos relacionamentos lésbicos – de forma natural.

Se você acha que eu esqueci de um clichê, comenta aqui no post!

TAGS
Compartilhe


Leia também